Conforme o doutor Yuri Silva Portela destaca, existe uma tendência cultural a normalizar quase tudo o que acontece depois dos 60 anos. Cansaço, esquecimento, perda de apetite e desânimo costumam ser explicados com um encolher de ombros e a frase de que isso é da idade. Esse hábito, embora compreensível, pode mascarar problemas que teriam solução simples se fossem investigados a tempo. O conteúdo a seguir apresenta os sinais que merecem atenção, explica por que eles não devem ser banalizados e indica o momento certo de procurar um especialista.
Reservar alguns minutos para essa leitura pode mudar a forma como você interpreta o próprio corpo.
Quando o esquecimento deixa de ser apenas idade?
Esquecer onde guardou um objeto ou demorar para lembrar um nome são episódios corriqueiros em qualquer fase da vida. A preocupação começa quando a memória passa a atrapalhar tarefas cotidianas, quando a pessoa repete as mesmas perguntas em curto intervalo ou se perde em trajetos antes familiares. De acordo com Yuri Silva Portela, esses comportamentos sugerem que algo mais do que o tempo está atuando.
A importância de investigar cedo é dupla. Por um lado, muitos casos de falha de memória têm causas perfeitamente tratáveis, como alterações de tireoide, deficiência de vitaminas, depressão ou efeito de remédios. Por outro lado, mesmo quando há uma doença neurodegenerativa, o diagnóstico precoce amplia as opções de tratamento e permite que a família se organize com calma e informação.
Que outros sintomas costumam ser ignorados em silêncio?
A perda de peso sem motivo aparente está entre os sinais mais subestimados. Emagrecer sem dieta pode indicar desde problemas dentários e dificuldade para mastigar até quadros de tristeza profunda ou doenças que exigem investigação imediata. O corpo raramente perde peso por acaso, e esse alerta merece ser levado a sério. Além disso, a redução involuntária do peso pode contribuir para a perda de massa muscular, aumentando o risco de fraqueza, quedas e perda de autonomia ao longo do tempo.

Quedas frequentes, tonturas, incontinência urinária e um desânimo que se arrasta por semanas também compõem essa lista de sintomas silenciosos. O doutor Yuri Silva Portela ressalta que nenhum deles deve ser encarado como destino inevitável da idade. São pistas de que o organismo pede ajuda, e a consulta especializada existe justamente para decifrar esse pedido e oferecer respostas práticas. Quando avaliados precocemente, esses sinais podem revelar condições tratáveis e evitar que problemas inicialmente simples evoluam para limitações mais significativas.
Por que não vale a pena adiar a consulta geriátrica?
Muitas pessoas procuram atendimento apenas quando os sintomas já estão causando impacto significativo na rotina. No entanto, Yuri Silva Portela expõe que uma das maiores vantagens da geriatria é justamente a capacidade de atuar antes que pequenas alterações se transformem em limitações importantes. Quanto mais cedo ocorre a avaliação, maiores são as chances de preservar a autonomia, prevenir complicações e promover um envelhecimento mais saudável.
A consulta geriátrica também permite revisar hábitos, medicamentos e fatores de risco que muitas vezes passam despercebidos. O uso simultâneo de vários remédios, por exemplo, pode aumentar o risco de quedas, tonturas e confusão mental. Da mesma forma, alterações discretas na alimentação, no sono ou na mobilidade podem sinalizar a necessidade de intervenções simples, mas capazes de gerar benefícios expressivos a longo prazo.
Mais do que tratar doenças, o geriatra busca compreender como a saúde influencia a qualidade de vida do paciente. O objetivo é identificar obstáculos que possam comprometer a independência e agir de forma preventiva. Por isso, diante de mudanças persistentes no corpo, no comportamento ou na capacidade de realizar atividades do dia a dia, procurar avaliação especializada não deve ser visto como excesso de cuidado, mas como uma atitude inteligente de proteção à saúde e ao bem-estar, comenta Yuri Silva Portela, doutor pós-graduado em geriatria.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez