Segundo o empresário Luciano Colicchio Fernandes, poucas perguntas dividem tanto a opinião de líderes empresariais quanto esta: vale mais apostar em melhorias contínuas sobre o que já funciona ou romper com o modelo existente em busca de algo radicalmente novo? A resposta correta raramente está em um dos extremos. O que este artigo propõe é justamente desmontar essa falsa dicotomia, analisar os resultados práticos de cada abordagem no horizonte de médio prazo e identificar como empresas inteligentes combinam as duas estratégias para gerar valor sustentável.
A distinção entre inovação incremental e disruptiva é mais sofisticada do que parece à primeira vista. A incremental opera dentro das regras do jogo: aprimora processos, reduz custos, melhora a experiência do cliente sem alterar a estrutura do mercado. A disruptiva, por sua vez, redefine as regras, cria novos segmentos e frequentemente torna obsoletos produtos e modelos de negócio consolidados. Nenhuma das duas é intrinsecamente superior. O que determina o valor gerado é o contexto competitivo, a maturidade do setor e a capacidade de execução da organização que as adota.
O que os números revelam sobre o médio prazo?
Quando o horizonte de análise é o médio prazo, entre três e sete anos, a inovação incremental tende a apresentar retorno mais previsível e menor risco de execução. As empresas que investem consistentemente em melhorias graduais constroem vantagens competitivas difíceis de replicar rapidamente, especialmente em setores com alta complexidade operacional, como manufatura, logística e saúde. O acúmulo de pequenas eficiências cria uma distância competitiva que passa despercebida no curto prazo, mas se torna decisiva ao longo do tempo.
A inovação disruptiva, por outro lado, pode gerar saltos de valor extraordinários, mas com variância muito mais alta. Luciano Colicchio Fernandes avalia que a maioria das apostas disruptivas que fracassa não falha por falta de visão tecnológica, mas por subestimar o tempo de adoção do mercado e o custo de construir infraestrutura do zero. No médio prazo, empresas que apostaram exclusivamente na disrupção sem uma base operacional sólida frequentemente enfrentam crises de caixa antes de colher os resultados da transformação que iniciaram.
Tecnologia e esportes como espelho dessa tensão
O setor esportivo oferece um laboratório privilegiado para observar essa tensão na prática. De um lado, clubes e federações que investiram em inovação incremental, como sistemas de análise de desempenho progressivamente mais refinados, viram sua capacidade competitiva crescer de forma consistente ao longo dos anos. De outro, organizações que apostaram em transformações radicais, como novos formatos de competição ou plataformas digitais de engajamento do torcedor, obtiveram resultados muito mais desiguais.

Tal como o empresário Luciano Colicchio Fernandes aponta, as experiências mais bem-sucedidas no cruzamento entre tecnologia, inovação e esportes combinam as duas lógicas de forma deliberada. A base operacional é mantida e aprimorada continuamente, enquanto apostas disruptivas são testadas em escala controlada antes de receberem investimento integral. Esse modelo híbrido reduz o risco sem eliminar a ambição.
Por que a maioria das empresas escolhe mal?
O problema central não é a falta de conhecimento sobre os dois modelos, mas a tendência de tomar decisões de inovação por pressão de narrativa e não por análise estratégica. Em ciclos de otimismo tecnológico, como o que o mercado viveu entre 2020 e 2023, a disrupção vira imperativo cultural e empresas abandonam programas incrementais sólidos para perseguir transformações que o mercado ainda não está pronto para absorver. O efeito contrário também ocorre: em períodos de retração, organizações cortam investimentos em inovação disruptiva justamente quando o custo de entrada seria mais baixo.
Luciano Colicchio Fernandes ressalta que as empresas que navegaram melhor essa oscilação são aquelas que mantiveram clareza sobre o papel de cada tipo de inovação em seu portfólio estratégico, independentemente do humor do mercado. Inovação incremental financia a operação. Inovação disruptiva financia o futuro. Confundir os dois papéis é o erro mais comum e mais caro que organizações cometem nesse campo.
Como estruturar um portfólio de inovação equilibrado?
A resposta prática para essa equação passa pela segmentação intencional dos investimentos em inovação. Organizações maduras costumam operar com uma lógica de três horizontes: o primeiro destinado a melhorar o negócio atual, o segundo a desenvolver oportunidades emergentes e o terceiro a explorar apostas de longo prazo com alto grau de incerteza. Cada horizonte exige métricas, governança e tolerância ao risco diferentes.
O que esse modelo deixa claro é que a escolha entre incremental e disruptivo é menos uma decisão binária e mais uma questão de proporção e timing. O empresário Luciano Colicchio Fernandes sintetiza bem essa perspectiva de que empresas que inovam apenas de forma incremental ficam presas ao presente, enquanto as que inovam apenas de forma disruptiva frequentemente não chegam ao futuro que imaginaram. O equilíbrio entre as duas abordagens não é um meio-termo sem convicção. É, na maioria dos casos, a estratégia mais inteligente disponível.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez