Ministério da Justiça amplia alertas preventivos e criminosos aproveitam a brecha para aplicar fraudes com a identidade do programa oficial.
A ampliação das notificações do programa Celular Seguro, do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), trouxe mais uma dúvida para quem usa smartphone no dia a dia: como saber se uma mensagem recebida por WhatsApp ou SMS é realmente do governo ou se faz parte de um golpe? A pergunta ganhou força depois que Procons e delegacias de crimes cibernéticos de diversos estados passaram a registrar relatos de usuários que receberam textos suspeitos se passando pelo programa oficial. A ferramenta, criada para centralizar o bloqueio de aparelhos, linhas telefônicas e aplicativos bancários em casos de roubo ou perda, virou alvo de criminosos que perceberam na nova fase de comunicação direta com o cidadão uma oportunidade de aplicar fraudes usando a identidade visual de um órgão público confiável.
Como o golpe se aproveita da comunicação oficial do governo
Desde que o Ministério da Justiça passou a enviar dois tipos de mensagens automáticas relacionadas ao Celular Seguro, criminosos identificaram uma brecha para agir. O primeiro formato de comunicação oficial consiste em alertas preventivos, direcionados a moradores de regiões com maiores índices de roubos e furtos de celular, trazendo orientações sobre segurança digital e uso de biometria. O segundo tipo é a notificação de restrição, disparada de forma automática sempre que um novo chip é inserido em um aparelho que já possui registro ativo de roubo ou furto no sistema nacional. É justamente nesse ambiente de comunicação legítima que os golpistas se infiltram, enviando mensagens falsas com visual muito parecido ao das notificações reais.
A tática dos criminosos costuma explorar o senso de urgência, ameaçando o bloqueio da linha telefônica caso o usuário não tome uma atitude imediata. A mensagem falsa geralmente contém um link que direciona a vítima para uma página fraudulenta, onde são solicitados dados pessoais, senhas bancárias ou até fotos de documentos, numa tentativa de roubar informações que depois podem ser usadas para aplicar outros golpes financeiros. Esse tipo de fraude costuma se somar a outras ondas de mensagens falsas que circulam simultaneamente pelo país, como as que exploram temas de benefícios do INSS ou saques do FGTS, sinal de que os golpistas atualizam constantemente o assunto usado como isca, mas mantêm a mesma lógica de aplicação.
Como funciona o programa Celular Seguro de verdade
O Celular Seguro atua em parceria com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), operadoras de telefonia e instituições financeiras, por meio do Banco Nacional de Celulares com Restrição (BNCR). O cadastro no programa é gratuito e exige o login unificado do portal Gov.br. Para registrar o aparelho, o usuário acessa o aplicativo ou o site oficial e informa o número do CPF, a marca, o modelo, o número de série e o código IMEI do telefone, além de poder indicar pessoas de confiança que possam acionar o bloqueio emergencial em caso de necessidade.
Um detalhe importante para quem quer se proteger de fraudes é conhecer os canais oficiais usados pelo governo para se comunicar com o cidadão. No WhatsApp, as mensagens legítimas partem apenas de contas oficiais e verificadas, que exibem o selo azul ao lado do nome, utilizando os números 2025-3000 e 2025-3003. As notificações verdadeiras trazem botões de interação, como “Saiba mais”, que encaminham o usuário diretamente para o portal do Ministério da Justiça ou para o ambiente do Gov.br, e ficam registradas também na caixa postal do próprio aplicativo Gov.br do cidadão.
Os sinais que ajudam a identificar uma mensagem fraudulenta
O governo federal reforça que as comunicações oficiais do Celular Seguro nunca utilizam links abertos no meio do texto, não exigem envio de fotos de documentos, não solicitam senhas e não cobram taxas de nenhum tipo para regularizar a situação de um aparelho. Já as mensagens fraudulentas costumam apresentar alguns sinais bem característicos, que ajudam o usuário a identificar rapidamente que está diante de uma tentativa de golpe.
Entre os principais indicadores de fraude estão o uso de links encurtados ou de domínios que não terminam com a extensão .gov.br, páginas falsas que pedem atualização cadastral com senha bancária ou número completo de cartão de crédito, solicitação de foto do rosto para uma suposta validação de identidade, e cobrança de valores ou pedidos de transferência via Pix para regularizar o aparelho. A presença de qualquer um desses elementos numa mensagem que se apresenta como oficial já é motivo suficiente para desconfiar e não seguir as instruções recebidas.
A orientação das autoridades de segurança para quem recebe uma mensagem suspeita é bem direta: não clicar em nenhum link, fechar a conversa e acessar diretamente o aplicativo Celular Seguro ou o portal Gov.br por conta própria, digitando o endereço manualmente no navegador, para conferir o painel de notificações legítimas relacionadas ao próprio CPF. Esse cuidado evita que o usuário caia em páginas clonadas que imitam visualmente o ambiente oficial do governo.
Para quem já recebeu uma mensagem suspeita e chegou a fornecer algum dado pessoal ou financeiro, a recomendação é agir rápido: trocar imediatamente as senhas dos aplicativos bancários e de serviços do governo, e acompanhar o extrato da conta em busca de movimentações não reconhecidas. Manter o Play Protect ativado no celular e desconfiar de qualquer comunicação que utilize tom de urgência, mesmo que pareça vir de um canal confiável, segue sendo a forma mais eficaz de reduzir o risco de cair nesse tipo de fraude, que tende a se reinventar sempre que um novo programa ou benefício público ganha visibilidade entre a população.
Fontes:
Jornal Correio: Mensagens do programa Celular Seguro via WhatsApp viram isca para golpes
Agência Brasil: Saiba como emitir alerta do aplicativo Celular Seguro em caso de roubo
Mix Vale: Golpe do FGTS por SMS rouba dados de trabalhadores