Felipe Rassi é um nome que circula com frequência em discussões sobre o mercado de ativos estressados no Brasil, um segmento que funciona de forma quase inversa à lógica intuitiva do investidor: quanto pior o cenário econômico, maior tende a ser o interesse por esses ativos. O mercado de ativos estressados é um dos poucos em que a deterioração de valor cria, simultaneamente, a oportunidade de recuperá-lo.
Mas o que exatamente qualifica um ativo como estressado? E por que esse mercado demanda um nível de especialização tão específico? Entender essas respostas é o ponto de partida para qualquer investidor ou gestor que queira operar nesse segmento com consistência.
O ativo estressado não é sinônimo de ativo sem valor
Essa é, talvez, a confusão mais frequente entre quem se aproxima desse mercado pela primeira vez. Um ativo estressado pode ser uma dívida corporativa inadimplente, uma participação societária em empresa em reestruturação, um imóvel vinculado a um processo de execução ou uma carteira de recebíveis com índice elevado de inadimplência. Em todos esses casos, o que está comprometido não é necessariamente o valor intrínseco do ativo, mas a capacidade ou disposição do devedor de honrar suas obrigações no momento atual.
Essa distinção é fundamental. Ela é o que permite que investidores especializados comprem esses ativos com deságio significativo e ainda assim obtenham retorno positivo. O deságio reflete o risco percebido e o custo da recuperação, não necessariamente a ausência de valor econômico real.
Por que o ambiente macroeconômico é tão determinante para o mercado de ativos estressados?
O mercado de ativos estressados é amplamente sensível ao ciclo econômico, mas não de forma linear. Em períodos de expansão, o volume de ativos tende a cair, porque o crescimento melhora a capacidade de pagamento dos devedores. Já nas contrações, o estoque cresce rapidamente, criando um pipeline farto de oportunidades para investidores especializados.
No Brasil, os últimos dez anos produziram ao menos dois ciclos claros de expansão do mercado de ativos estressados: o período pós-2015, com a recessão e os casos emblemáticos de grandes grupos empresariais, e o ciclo de 2020 a 2022, marcado pelos efeitos da pandemia sobre setores como aviação, hospitalidade e varejo físico.

Felipe Rassi, com experiência em estruturação que envolve operações financeiras complexas e grupos empresariais, identifica que cada ciclo deixa um perfil distinto de ativos no mercado. Reconhecer as características de cada safra é parte essencial do trabalho de quem atua nesse segmento.
Além dos indicadores tradicionais: os riscos menos visíveis na due diligence de ativos estressados
Nenhuma aquisição de ativo estressado deveria acontecer sem uma due diligence rigorosa, e esse processo é substancialmente diferente da análise convencional de um ativo saudável. Em um ativo saudável, a due diligence verifica conformidade e potencial. Em um ativo estressado, ela precisa mapear os riscos ocultos que explicam por que aquele ativo chegou ao estado em que se encontra.
Isso inclui verificar a qualidade jurídica da documentação, identificar passivos contingentes que não aparecem nos balanços formais, avaliar o histórico de litígios do devedor e analisar se existem outros credores com prioridade superior. Felipe Rassi representa o tipo de perfil indispensável nessa fase, porque os riscos mais relevantes costumam estar escondidos em cláusulas contratuais, registros de garantias e históricos processuais que a análise financeira convencional não alcança.
O que distingue os investidores com resultados consistentes no mercado de ativos estressados?
Ganhar dinheiro comprando ativos estressados exige mais do que capital e apetite por risco. Exige paciência, conhecimento técnico multidisciplinar e capacidade de gestão ativa. O investidor passivo, que compra e espera, raramente obtém os melhores resultados nesse segmento. O que diferencia os players bem-sucedidos é a capacidade de intervir ativamente no processo de recuperação, seja negociando diretamente com o devedor, participando de processos de reestruturação ou executando garantias no momento certo.
O especialista em créditos estressados que atua ao lado do investidor nesse processo cumpre um papel que vai além da assessoria pontual. Ele integra a estratégia desde a análise inicial do ativo até a estruturação do caminho de saída, garantindo que cada etapa esteja alinhada com o objetivo de maximização do valor recuperado. A trajetória de Felipe Rassi nesse mercado demonstra exatamente essa lógica de atuação integrada, que combina visão jurídica e financeira em cada etapa do processo.
O mercado de ativos estressados não é para todos, mas para quem domina suas regras, representa uma das fronteiras mais rentáveis e intelectualmente desafiadoras do mercado financeiro brasileiro.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez