Atualmente, Matheus Vinicius Voigt, profissional especializado nas áreas de engenharia elétrica e gestão de projetos, presencia uma transformação com o potencial de modificar a paisagem e a resiliência das cidades: o enterramento de cabos elétricos e de telecomunicações. A solução reduz a presença de postes e fios, mas exige planejamento integrado, investimento elevado e atenção à manutenção futura.
Em uma rede subterrânea, condutores percorrem dutos, caixas de passagem, câmaras e equipamentos de proteção instalados sob o pavimento. A infraestrutura elétrica e a de telecomunicações podem compartilhar faixas planejadas, desde que sejam respeitadas as distâncias, os acessos e as regras de segurança de cada sistema.
A mudança não consiste apenas na retirada de cabos aéreos. Matheus Vinicius Voigt reforça a importância do mapeamento prévio para a redução de interferências durante a execução. É imprescindível identificar as redes de água e esgoto, as fundações, a drenagem, a arborização e a circulação de veículos. O projeto deve prever uma execução que não interrompa serviços essenciais e evite novos conflitos no subsolo.
O que muda na segurança e na paisagem?
O enterramento dos cabos é uma medida de segurança que reduz a exposição deles a ventos fortes, quedas de árvores, colisões e contato acidental. Em corredores urbanos movimentados, também se nota uma diminuição da quantidade de estruturas aéreas e uma liberação de fachadas, calçadas e visuais importantes para a cidade.
A resiliência depende do desenho da rede. Dutos protegidos, compartimentação, drenagem e equipamentos adequados reduzem vulnerabilidades, mas não tornam o sistema imune a alagamentos, escavações indevidas ou falhas de componentes. A proteção precisa considerar os riscos do local.
Ainda segundo Matheus Vinicius Voigt, o conceito de benefício urbano emerge quando a segurança, a continuidade e a organização visual são tratadas de forma conjunta. Embora a prática de enterrar os cabos em um trecho isolado possa contribuir para a melhoria da paisagem, ela não resolve gargalos de alimentação, acessibilidade ou coordenação entre concessionárias.

Como planejar a implantação?
O primeiro passo é produzir um cadastro confiável do subsolo. É imprescindível que as plantas antigas sejam submetidas a inspeções, sondagens e levantamentos de campo. A localização precisa dos ativos define profundidades, traçados, pontos de acesso e métodos de escavação ou perfuração.
Posteriormente, o projeto deve estabelecer uma sequência de obras. Trechos prioritários podem ser selecionados com base na criticidade da rede, densidade de usuários, valor histórico, risco de interrupções ou necessidade de requalificação viária. A implementação por etapas visa reduzir impactos e permitir a incorporação de aprendizados ao ciclo subsequente.
A coordenação entre órgãos públicos e empresas é fundamental para o sucesso das operações. Energia, telecomunicações, iluminação, água, mobilidade e drenagem devem compartilhar informações sobre cronogramas e interferências. Na ausência de uma governança adequada, uma via recentemente restaurada pode ser reaberta para a implantação de outro serviço.
Quais custos entram na decisão?
Ao comparar a rede aérea, é preciso levar em conta o ciclo de vida, não apenas o valor inicial da obra. Dentre os principais investimentos, destacam-se os dutos, as câmaras, as escavações, a recomposição de vias, os equipamentos de proteção, o licenciamento e a transferência das conexões.
Convém lembrar que é preciso levar em conta os custos de operação. Conforme observado por Matheus Vinicius Voigt, a localização precisa de falhas subterrâneas pode exigir a abertura de pavimentos e o uso de equipamentos especializados. Por outro lado, a mitigação de danos causados pelo clima, a redução da exposição física e a organização dos ativos podem resultar em ganhos de continuidade e segurança.
O estudo econômico deve incluir a análise de alternativas de traçado, tecnologias de instalação e níveis de redundância. Em determinadas situações, a solução integral pode ser a mais adequada. Em outras, a combinação de trechos enterrados com o reforço da rede aérea pode proporcionar uma relação mais favorável entre custo, risco e benefício.
O subsolo precisa continuar disponível
Matheus Vinicius Voigt salienta que a manutenção é um dos pontos mais relevantes do projeto. Caixas de passagem, câmaras e registros devem permanecer localizáveis e acessíveis, mesmo após novas pavimentações ou mudanças no desenho das calçadas, e o cadastro digital deve ser atualizado a cada intervenção.
Além disso, é imprescindível preparar a rede subterrânea para mudanças futuras. A reserva de dutos, a capacidade de expansão e a compatibilidade entre cabos evitam a necessidade de novas escavações na cidade. É imprescindível que o planejamento contemple a eletrificação de veículos, o crescimento de dados e as novas cargas urbanas.
Ademais, Matheus Vinicius Voigt pontua que o enterramento de cabos produz melhores resultados quando é tratado como obra de infraestrutura, e não apenas como remoção de fios visíveis. Com um cadastro completo, governança eficiente, manutenção preventiva e expansão planejada, o subsolo pode sustentar uma cidade mais segura, organizada e preparada para eventos extremos.