Consórcio para quem tem renda variável: Confira com Tiago Oliva Schietti quais cuidados observar antes de contratar

Federico Corvelli
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Tiago Oliva Schietti

Segundo o empresário Tiago Oliva Schietti, consórcio e renda variável formam uma combinação que exige planejamento redobrado, especialmente para quem não recebe salário fixo todos os meses. Autônomos e profissionais liberais costumam subestimar o impacto de uma parcela fixa sobre um fluxo de caixa que varia conforme a demanda do mercado.

Diferente de quem tem carteira assinada, o autônomo lida com meses de faturamento alto seguidos por períodos fracos, e o consórcio não perdoa essa oscilação: a parcela chega todo mês, independentemente da receita. Assim sendo, riscos como atraso no pagamento, contemplação por sorteio em momento inoportuno e reajustes no saldo devedor merecem atenção redobrada nesse contexto. Em seguida, abordaremos, detalharemos esses perigos e discutiremos formas de reduzi-los.

Por que a renda variável muda o cálculo do consórcio?

Quem recebe salário fixo planeja o orçamento em torno de um valor previsível. Já o autônomo precisa projetar uma média realista de faturamento, considerando os meses mais fracos como referência, não os melhores. Esse é o erro mais comum entre profissionais liberais que contratam um consórcio: usar o mês de pico como base para calcular a parcela que poderão pagar.

Tiago Oliva Schietti elucida que essa distorção cria uma falsa sensação de folga financeira nos primeiros meses e um aperto real quando a demanda cai. O ideal é calcular a parcela do consórcio com base na receita mínima histórica dos últimos doze meses, não na média nem no melhor resultado. Esse ajuste reduz o risco de inadimplência ao longo do prazo do grupo.

Quais riscos os autônomos precisam mapear antes de contratar?

Além da variação de receita, existem riscos específicos que pesam mais sobre quem trabalha por conta própria. A ausência de benefícios como décimo terceiro ou FGTS retira um colchão que os empregados costumam usar em momentos de aperto, conforme ressalta Tiago Oliva Schietti, empresário.

Tiago Oliva Schietti
Tiago Oliva Schietti

Isso torna o planejamento prévio ainda mais determinante para sustentar as parcelas sem comprometer outras obrigações. Portanto, antes de assinar, o profissional autônomo faz bem em revisar pontos que costumam passar despercebidos durante a negociação, mas que pesam diretamente sobre a viabilidade do consórcio no longo prazo. Entre eles, destacam-se:

  • A sazonalidade da própria atividade, já que setores como eventos, turismo e construção civil têm picos e vales previsíveis;
  • O prazo do grupo, que deve ser compatível com a expectativa de estabilidade da receita nos próximos anos;
  • A taxa de administração total, cobrada independentemente da contemplação, e seu peso acumulado sobre o valor do bem;
  • A existência de cláusulas de reajuste atreladas a índices que podem subir acima da inflação percebida pelo profissional.

Ignorar esses pontos na contratação costuma gerar surpresas justamente nos meses de receita mais baixa, quando menos se pode arcar com imprevistos, comprometendo outras obrigações do autônomo.

Como construir uma reserva de segurança para o consórcio?

Manter uma reserva específica para as parcelas do consórcio é uma das estratégias mais eficazes para quem tem renda variável. Como frisa Tiago Oliva Schietti, essa reserva funciona como amortecedor nos meses de faturamento fraco, evitando o atraso que pode gerar multas e, em casos recorrentes, a exclusão do grupo.

Dessa maneira, o ideal é acumular entre três e seis parcelas antes de assinar o contrato, garantindo margem para ajustes sem comprometer o restante do orçamento. Separar essa reserva em conta apartada, sem mistura com o capital de giro do negócio, evita que o dinheiro seja usado para outras finalidades.

Vale a pena considerar o consórcio mesmo com renda instável?

O consórcio pode fazer sentido para o autônomo, mas depende diretamente da disciplina financeira e do tipo de bem que se pretende adquirir. Tal como observa o empresário Tiago Oliva Schietti, a modalidade tende a funcionar melhor quando o profissional já tem histórico de faturamento consolidado, com dois ou três anos de atividade que permitam prever oscilações com precisão.

Portanto, para quem está começando ou enfrenta receita muito instável, pode ser mais seguro aguardar um período de estabilização antes de assumir esse compromisso de longo prazo. No final, a pressa em contratar, motivada pela vontade de antecipar um bem, costuma custar caro quando o planejamento fica em segundo plano.

O planejamento como um diferencial na hora de contratar

O consórcio não é incompatível com a renda variável, mas exige planejamento que vai além do que costuma ser feito por quem tem salário fixo. Simular cenários, criar reserva específica e calcular a parcela pela receita mínima são atitudes que separam quem conclui o grupo sem sobressaltos de quem enfrenta atrasos recorrentes. Ou seja, antes de assinar, o autônomo faz bem em tratar o consórcio como parte de uma estratégia financeira maior.

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