Com Bolsonaro inelegível e Lula buscando quarto mandato, o Brasil entra numa corrida eleitoral marcada por novos nomes, pesquisas empatadas e um eleitor cada vez mais indeciso
Outubro de 2026 vai fazer a história política do Brasil de um jeito que nenhum analista conseguia prever há poucos anos. Pela primeira vez desde 2002, Jair Bolsonaro não estará na urna, ao menos não com seu próprio nome. O cenário que se desenha é de uma disputa presidencial com mais candidatos com chances reais, pesquisas indefinidas e um nível de imprevisibilidade que torna qualquer previsão arriscada. Para o eleitor comum, a pergunta é simples: em quem votar?
Em outubro, mais de 150 milhões de brasileiras e brasileiros voltarão às urnas eletrônicas para escolher o presidente da República, governadores e senadores, bem como deputados federais, estaduais e distritais. O primeiro turno das Eleições Gerais de 2026 acontece no dia 4 de outubro, e eventual segundo turno ocorrerá no dia 25 de outubro. As convenções partidárias que definirão os candidatos estão marcadas para o período de 20 de julho a 5 de agosto. Tribunal Superior Eleitoral
Quem disputa a presidência
O quadro eleitoral para a presidência é o mais plural dos últimos anos. Lula, pelo PT, busca um quarto mandato, algo inédito na história do país. Do lado da direita, o campo bolsonarista escolheu Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente, como candidato pelo PL. Desde março, a eleição tem se apresentado como um “cara ou coroa”, com os dois candidatos principais empatados nas pesquisas. Enquanto a popularidade de Lula oscilou para baixo, Flávio Bolsonaro avançou. AS/COA
Além da disputa principal, outros nomes entraram no campo. O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, pelo PSD, também está na corrida depois de deixar o campo que incluía Eduardo Leite e Ratinho Júnior. O ativista Renan Santos tem visto seu apoio crescer entre jovens brasileiros. O quadro com múltiplos candidatos com chance real de votação expressiva aumenta a probabilidade de segundo turno e pode definir o resultado de acordo com como esses votos migrarão entre os dois turnos. AS/COA
As pesquisas de junho indicam aumento no número de eleitores indecisos, que cresceu de cinco para dez por cento na última sondagem da Quaest. Para os estrategistas de campanha, esse dado é tão importante quanto os números de intenção de voto: um eleitor indeciso é um voto que pode ser conquistado ou perdido até o dia da eleição. AS/COA
O que está em jogo além da presidência
A corrida presidencial tende a dominar as manchetes, mas outubro de 2026 renova muito mais do que o Palácio do Planalto. O Senado terá 54 cadeiras renovadas, dois terços do total de 81. São 513 vagas para deputado federal e 1.035 cadeiras nas assembleias legislativas estaduais. Governadores de todos os 26 estados e do Distrito Federal também estão em disputa. Na prática, quem vai votar em outubro precisa estar preparado para fazer seis escolhas diferentes na urna. Tribunal Superior Eleitoral
Essa renovação ampla do legislativo tem impacto direto na vida cotidiana dos brasileiros. São os deputados estaduais que aprovam os orçamentos estaduais de saúde e educação. São os deputados federais que votam sobre reajuste do salário mínimo, regras do INSS e programas sociais. Votar com atenção nas candidaturas ao legislativo é tão importante quanto escolher o presidente.
O que o eleitor precisa saber antes de outubro
O calendário eleitoral já impõe algumas restrições importantes. A partir de 7 de abril, ficou vedada a concessão de revisão geral da remuneração de servidores públicos que exceda a recomposição das perdas inflacionárias no ano eleitoral, para garantir equilíbrio no processo. Também ficou proibida a distribuição gratuita de bens ou benefícios fora dos programas sociais já previstos em lei. Tribunal Superior Eleitoral
Para o eleitor, o mais importante agora é verificar se a situação eleitoral está regularizada: título em dia, biometria registrada e domicílio eleitoral na cidade correta. O prazo para alistamento e transferência de título encerrou em maio, então quem não regularizou a situação até lá precisará aguardar o próximo período. A propaganda eleitoral começa no dia 16 de agosto, e a partir de então o cenário deve se tornar muito mais claro para o eleitor decidir.
Fontes: TSE – Eleições 2026 | TSE – calendário eleitoral | Wikipedia – eleição presidencial 2026 | AS/COA – Poll Tracker
Autor: Diego Rodríguez Velázquez