Existe uma lógica que parece óbvia quando enunciada, mas que ainda é ignorada com frequência na prática: prevenir custa menos do que remediar. Nesse sentido, Ernesto Kenji Igarashi, ex-coordenador da equipe tática da Policia Federal, aponta que no campo da segurança, essa equação vai além do custo financeiro. Ela envolve risco humano, reputação institucional e a capacidade de manter operações funcionando mesmo quando o ambiente se torna adverso. A segurança preventiva não é uma postura passiva de espera, mas uma abordagem ativa de gestão de risco que exige planejamento, treinamento contínuo e uma cultura organizacional orientada à antecipação.
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A lógica econômica e operacional da prevenção
Toda organização que opera em ambientes de risco faz, consciente ou inconscientemente, uma escolha entre investir em prevenção ou em resposta. O problema da resposta é que ela sempre chega depois do dano. Mesmo quando bem executada, a intervenção reativa lida com consequências que já se instalaram: vítimas, perdas materiais, ruptura operacional ou exposição pública. O custo de restaurar o que foi afetado é invariavelmente mais alto do que o custo de evitar que o evento ocorresse, destaca Ernesto Kenji Igarashi.
Essa assimetria de custo é documentada em diferentes setores que lidam com risco. Em segurança, ela se manifesta na diferença entre o investimento em treinamento, protocolos e monitoramento preventivo e o custo de gerenciar uma crise que poderia ter sido evitada. Dessa forma, as organizações que calculam esse diferencial tendem a redirecionar recursos para a ponta preventiva, não por ideologia, mas por eficiência econômica demonstrável.
A dimensão humana da equação reforça o argumento. Em situações onde há risco à integridade física, a prevenção não é apenas mais barata: é moralmente preferível. Profissionais que atuam em ambientes de segurança entendem que seu papel não é apenas responder a ameaças, mas criar as condições para que elas não se concretizem. Segundo Ernesto Kenji Igarashi, essa orientação muda profundamente a forma como o trabalho é planejado, executado e avaliado.

Quais são os pilares de uma cultura preventiva eficaz?
Assim como pontua Ernesto Kenji Igarashi, construir uma cultura de segurança preventiva exige mais do que implementar procedimentos. Procedimentos existem em muitas organizações que, mesmo assim, operam de forma reativa porque a cultura não foi alterada. Cultura é o conjunto de crenças, hábitos e prioridades que orienta o comportamento das pessoas na ausência de supervisão direta. Quando a cultura está alinhada com a prevenção, os membros da equipe identificam riscos por iniciativa própria, reportam anomalias antes que se tornem problemas e agem com precaução sem precisar ser instruídos caso a caso.
O treinamento é o principal instrumento de formação dessa cultura. Não o treinamento como evento isolado, mas como prática sistemática que recria as condições de pressão do ambiente real e obriga os profissionais a exercitar decisões e respostas antes de precisar delas de verdade. Equipes que treinam com regularidade desenvolvem automatismos que funcionam mesmo sob estresse elevado, quando o tempo para pensar é mínimo e a margem para erro é zero.
De acordo com o especialista em segurança institucional e proteção de autoridades, Ernesto Kenji Igarashi, a liderança tem papel central nesse processo. À medida que quem lidera demonstra, pelo próprio comportamento, que a prevenção é prioridade real, não apenas retórica, a mensagem permeia a equipe de forma orgânica. Líderes que pulam protocolos por conveniência, que ignoram relatórios de risco por julgá-los exagerados ou que só valorizam a resposta rápida enviam sinais contrários que corroem a cultura preventiva mesmo quando os procedimentos formais existem.
Como mensurar a eficácia de uma abordagem preventiva?
Conforme expõe Ernesto Kenji Igarashi, um dos desafios da segurança preventiva é que seus resultados são, por definição, invisíveis. Quando ela funciona, nada acontece, e o que não acontece é difícil de medir e de comunicar. Essa invisibilidade cria um problema de percepção: investimentos em prevenção tendem a ser questionados justamente porque não há incidentes para justificá-los. Organizações maduras desenvolvem métricas que capturam o valor da ausência de eventos e comunicam esses resultados de forma clara para quem toma decisões de alocação de recursos.
Entre os indicadores relevantes estão a frequência de exercícios realizados, a taxa de identificação precoce de anomalias, o tempo médio entre detecção e resposta, e a evolução dos riscos mapeados ao longo do tempo. Cada um desses dados, quando analisado em série histórica, oferece uma imagem do quanto a capacidade preventiva da organização está se desenvolvendo ou deteriorando.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez