Congresso realizado na capital fluminense coloca ferramentas digitais, inteligência artificial e modernização do atendimento no centro das discussões sobre o futuro dos corretores de seguros.
O avanço da tecnologia está provocando mudanças importantes no mercado de seguros e alterando diretamente a rotina dos corretores no Rio de Janeiro. O assunto ganhou destaque durante o 24º Congresso Brasileiro dos Corretores de Seguros, realizado entre os dias 27 e 29 de agosto na capital fluminense. O encontro reuniu profissionais, entidades e representantes de seguradoras para discutir as transformações que estão ocorrendo na distribuição de seguros, incluindo a expansão dos canais digitais e o uso cada vez maior da inteligência artificial. (CQCS)
A edição deste ano teve como tema central “A Nova Era da Distribuição de Seguros no Brasil”. A escolha refletiu justamente o momento de transformação enfrentado pelo setor. Segundo informações divulgadas pela Federação Nacional dos Corretores de Seguros (Fenacor), o congresso foi projetado para reunir cerca de seis mil participantes presenciais no Rio de Janeiro, consolidando a cidade como palco de discussões nacionais relacionadas à inovação, qualificação profissional e novas formas de relacionamento entre seguradoras, corretores e consumidores. (Fenacor)
Inteligência artificial chega à rotina dos corretores
Entre as principais mudanças discutidas está a adoção de ferramentas de inteligência artificial. O diretor da Associação Estadual dos Corretores de Seguros do Rio de Janeiro (AECOR-RJ), Jayme Torres, avaliou que a tecnologia se tornou uma aliada importante para o segmento. Na visão apresentada pelo dirigente, a IA pode gerar valor para a atividade do corretor quando empregada com discernimento, funcionando como ferramenta de apoio ao profissional em um mercado cada vez mais digitalizado. (CQCS)
Essa transformação pode ser percebida principalmente na maneira como os profissionais se relacionam com seus clientes. Durante muitos anos, o contato entre corretores e segurados ficou concentrado em reuniões presenciais e chamadas telefônicas. Hoje, consumidores utilizam mensagens instantâneas e diferentes recursos digitais e esperam maior agilidade durante o atendimento. Essa mudança de comportamento pressiona o mercado a modernizar seus processos sem eliminar o papel consultivo desempenhado pelo profissional. (CQCS)
O avanço tecnológico também cria uma necessidade permanente de atualização. Em um mercado no qual novos produtos, plataformas e ferramentas surgem rapidamente, o domínio dos recursos digitais passa a fazer parte da formação dos profissionais. A tecnologia deixa, portanto, de ser apenas um diferencial e começa a integrar a própria estrutura de funcionamento do setor.
Digitalização muda a relação com os consumidores
A digitalização permite que diferentes etapas da relação entre consumidores, corretores e seguradoras sejam realizadas de maneira mais rápida. A comunicação por canais digitais tornou-se especialmente relevante diante de um público que busca respostas praticamente imediatas e maior facilidade para acessar informações relacionadas a produtos e serviços.
Nesse cenário, a inteligência artificial pode funcionar como mais uma camada de apoio tecnológico, auxiliando na organização e análise de informações e na modernização de processos. O desafio está em combinar automação e produtividade com o conhecimento técnico e o relacionamento humano necessários para compreender as necessidades específicas de cada cliente.
A discussão realizada no Rio também evidencia uma tendência mais ampla do setor: tecnologia e atendimento humano não precisam funcionar como forças opostas. Para representantes dos corretores, as ferramentas digitais podem contribuir para aumentar a eficiência enquanto o profissional permanece responsável pelo relacionamento, pela orientação e pelas decisões que exigem análise individualizada.
LGPD e regulamentação entram no debate
A transformação tecnológica, entretanto, também traz novas responsabilidades. A AECOR-RJ destacou que acompanha questões regulatórias que afetam diretamente a atividade dos corretores, incluindo mudanças legislativas e a necessidade de adequação à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). O tema ganha ainda mais importância conforme informações de clientes passam a circular por plataformas e sistemas digitais. (CQCS)
Além da proteção de dados, o setor terá de acompanhar outras transformações regulatórias e econômicas. A associação avalia que mudanças como a Reforma Tributária também deverão ser analisadas pelo mercado, enquanto entidades representativas ampliam palestras, debates e iniciativas de atualização profissional para preparar os corretores para novas demandas. (CQCS)
Rio volta ao centro das discussões do setor
A realização do congresso no Rio de Janeiro também foi considerada estratégica pelas entidades locais. O Clube dos Corretores de Seguros do Rio de Janeiro (CCS-RJ) destacou que o evento aproximou profissionais do estado de seguradoras e tomadores de decisão, além de ampliar a visibilidade do mercado fluminense. A entidade considera encontros desse porte importantes para fortalecer novamente o protagonismo da cidade dentro do setor brasileiro de seguros. (CQCS)
O congresso também criou um ambiente para intercâmbio de informações sobre novos produtos, modelos de distribuição e tendências que deverão influenciar a atividade nos próximos anos. Para os profissionais do Rio, a proximidade com empresas e representantes nacionais permite acompanhar mais rapidamente mudanças que posteriormente chegam ao cotidiano das corretoras.
Com inteligência artificial, canais digitais e novas exigências regulatórias avançando simultaneamente, o mercado de seguros entra em uma fase de adaptação acelerada. O debate realizado no Rio mostra que a tecnologia deverá ocupar espaço crescente nessa transformação, mas acompanhada da necessidade de capacitação profissional, proteção de dados e uso responsável das novas ferramentas.
Fontes:
Fonte principal — CQCS / AECOR-RJ