Como o mercado de proteção veicular evoluiu nos últimos anos?

Federico Corvelli
5 Min Read
David do Prado

A proteção veicular começou como uma alternativa informal, organizada por pequenos grupos de motoristas que dividiam entre si o custo de sinistros ocorridos na região onde moravam. Faltava padronização, regulamento claro e qualquer tipo de estrutura que desse segurança ao associado, além da confiança pessoal entre os participantes do grupo.

David do Prado, vendedor com mais de 10 anos de experiência no setor automotivo e proteção veicular, acompanhou boa parte dessa transformação de perto e costuma comparar o setor de hoje com o de uma década atrás para mostrar o quanto a operação amadureceu nesse período, tanto em estrutura quanto em confiança do consumidor.

Os primeiros modelos de proteção veicular e suas limitações

Nos primeiros anos, a adesão a uma associação dependia quase inteiramente de indicação pessoal, sem processo de vistoria estruturado nem critério claro para definir o valor do rateio mensal. O associado descobria as regras reais do grupo muitas vezes só depois de precisar acionar a cobertura, o que gerava desconfiança e um número alto de cancelamentos precoces.

A fase inicial do setor também carecia de qualquer supervisão externa que desse ao motorista algum tipo de garantia institucional. Cada associação definia suas próprias regras sem parâmetro comum, o que dificultava a comparação entre opções e deixava o motorista praticamente sem informação para decidir com segurança, dependendo quase só da experiência de conhecidos que já tinham contratado antes.

Como a regulamentação e a organização das associações mudaram?

Com o crescimento do setor, associações passaram a adotar processos mais estruturados: vistoria obrigatória na adesão, regulamento interno detalhado e critérios objetivos para definir o valor do rateio conforme o perfil de risco de cada veículo. Essa organização reduziu a distância entre o que era prometido na venda e o que de fato acontecia na hora do sinistro.

David do Prado explica que essa mudança também profissionalizou a forma de vender proteção veicular, exigindo do vendedor um conhecimento técnico que antes não era necessário, já que o motorista passou a chegar com perguntas mais específicas sobre carência, exclusões e prazo de indenização, temas que dificilmente entravam numa conversa comercial há alguns anos.

David do Prado
David do Prado

O papel da tecnologia na modernização do setor

Aplicativos de acompanhamento, vistoria por vídeo e assinatura digital de contrato mudaram a experiência de quem contrata proteção veicular hoje. Processos que antes exigiam deslocamento até uma unidade física passaram a ser resolvidos em poucos minutos, o que reduziu custo operacional para as associações e tornou a adesão mais acessível para motoristas de outras cidades.

A modernização trazida pelas novas ferramentas também aumentou a transparência do processo de sinistro. David do Prado destaca que o associado consegue acompanhar cada etapa da análise diretamente pelo celular hoje, sem depender de ligações telefônicas ou visitas presenciais para saber em que ponto está o pedido de indenização, algo impensável há poucos anos.

O que essa evolução significa para o motorista hoje?

O motorista que contrata proteção veicular atualmente encontra um mercado bem mais maduro do que existia há uma década, com regras mais claras e processos mais rápidos em praticamente todas as etapas da relação com a associação. Essa evolução também elevou o nível de exigência do consumidor, que hoje compara não só preço, mas reputação, tecnologia e histórico de atendimento antes de decidir.

A maturidade alcançada pelo setor tende a continuar avançando, à medida que mais associações investem em estrutura e em transparência para se diferenciar num mercado mais competitivo a cada ano. David do Prado conclui que essa trajetória deve se aprofundar, com associações cada vez mais próximas do nível de organização que hoje se espera de qualquer prestador de serviço financeiro sério.

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